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LAJES NERVURADAS

Luminária posicionada para aproveitar o efeito plástico da laje nervurada.
Foto: Arq. Eduardo Galvão. [via]

O QUE É?

Uma laje nervurada é constituída por um conjunto de vigas que se cruzam, solidarizadas pela mesa. Esse elemento estrutural tem comportamento intermediário entre o de laje maciça e o de grelha.

Segundo a NBR 6118:2003, lajes nervuradas são “lajes moldadas no local ou com nervuras pré-moldadas, cuja zona de tração é constituída por nervuras entre as quais pode ser colocado material inerte.”

Tipos de lajes nervuradas:

  • Moldadas no local ou com molduras pré-fabricadas;
  • Mesa única ou caixão perdido;
  • Com ou sem capitéis e/ou vigas-faixa.

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QUAL A ORIGEM?

laje-concreto-wilkinson-2
Primeira patente de laje em concreto armado (1854)

Já falamos no artigo sobre lajes de concreto armado que o inglês William Boutland Wilkinson (1819-1902), foi o primeiro a patentear um “sistema” de lajes em concreto armado em 1854. Este esquema, extremamente avançado na questão da tecnologia de elaboração de lajes, pode ser considerado também como as primeiras lajes nervuradas da história do concreto armado. Consistia em uma série de blocos de gesso que funcionavam como caixões perdidos que serviam de suporte para colocar o concreto de maneira uniforme, moldando uma série de nervuras com um plano de laje na parte superior. As armaduras das nervuras e das vigas de sustentação seguiam razoavelmente as trajetórias das trações. A laje tinha um vão de aproximadamente 4m em cada direção e uma malha de barras de ferro era colocada na parte inferior da camada de concreto de 4cm de espessura que cobria as nervuras.

Gordon & Guton: The British-American Tobacco Co., LTD.,Londres, 1913. Lajes nervuradas compostas de elementos cerâmicos
em combinação com barras de ferro e posterior aplicação de concreto in loco.
CONCRETE and Constructional Engineering, nov. 1913 Vol. VIII nº11 p.747

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QUANDO UTILIZAR?

As evoluções arquitetônicas, que forçaram o aumento dos vãos, e o alto custo das formas tornaram as lajes maciças desfavoráveis economicamente em muitos casos. As lajes nervuradas, por possuírem espaços vazios ou preenchidos com materiais leves, propiciam economia de materiais, de mão-de-obra e de formas

O desenvolvimento desse tipo de laje se justifica por simplificar a execução e permitir a industrialização, com redução de perdas e aumento da produtividade, racionalizando a construção e proporcionando economia. É por esses motivos e pela possibilidade do reaproveitamento das formas com sistema de escoras metálicas que as lajes nervuradas são bastante utilizadas em edificações como edifícios de escritórios, escolas, supermercados, hospitais, entre outras.

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COMO DIMENSIONAR?

No caso de não haver tubulações embutidas na laje, a espessura da mesa deve ser maior ou igual a 1/15 da distância entre as nervuras e nunca menor que 3cm. Quando houver  tubulações embutidas (de diâmetro máximo 12,5mm), a espessura da mesa deve ser de, no mínimo, 4cm.

A largura das nervuras não deve ser inferior a 5cm e, quando houver armaduras de compressão, a largura das nervuras não deve ser inferior a 8cm.

No geral, as lajes nervuradas vencem vãos entre pilares na ordem de 7 a 9m. Em regiões de apoio, tem-se uma concentração de tensões transversais, podendo ocorrer ruína por punção ou por cisalhamento. Nesses casos, entre as alternativas possíveis, pode-se adotar uma região maciça em volta do pilar, formando um capitel ou faixas maciças em uma ou em duas direções, constituindo vigas-faixa.

A ABNT NBR 6118:2003 especifica que a resistência característica do concreto à compressão (fck) para estruturas de concreto armado precisa ser, no mínimo, igual a 25 MPa (concreto classe C25, da ABNT NBR 8953:1992), o que se aplica para as lajes nervuradas quando construídas em ambiente urbano.

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E O BALANÇO?

Procura-se evitar engastes e balanços, visto que, nesses casos, têm-se esforços de compressão na face inferior, região em que a área de concreto é reduzida.

Nos casos em que for necessário, duas providências são possíveis, ou limita-se o momento fletor ao valor da resistência à compressão da nervura, ou utiliza-se mesa na parte inferior (situação conhecida como laje dupla) ou região maciça de dimensão adequada.

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COMO PROJETAR?

O sistema de laje nervurada é bastante propício a partidos modulares de projeto, por meio dos quais são coordenados todos os sistemas construtivos, como iluminação e divisórias leves. Assim, para um projeto de qualidade, que tire partido estético das suas soluções construtivas (venustas e firmitas), não se aconselha o uso de forro escondendo as nervuras da laje.

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COMO CONSTRUIR?

1. Forma:

As formas escolhidas são colocados sobre plataformas, as quais são sustentadas pelos cimbramentos, corretamente contraventados e apoiados em base firme que pode ser o contrapiso de pavimento térreo ou a laje de andar inferior. As plataformas e cimbramentos podem ser de madeira ou aço.

2. Armadura:

Após a colocação das formas obedecendo-se os espaçamentos especificados em projeto, colocam-se as barras das armaduras das nervuras com seus respectivos espaçadores, a fim de garantir o cobrimento necessário à boa proteção com relação à corrosão. A armadura da mesa (se necessária) precisa ser posicionada sobre os blocos, com os espaçamentos e cobrimentos convenientemente avaliados no projeto.

3. Concretagem:

O lançamento do concreto ocorre logo após o amassamento, não sendo permitido entre o fim deste e o lançamento intervalo superior a uma hora, sendo que este prazo deve ser contado a partir do fim da agitação na betoneira ao pé da obra. O uso de aditivos retardadores de pega faz com que se possa dilatar este prazo, de acordo com as propriedades do aditivo e as recomendações do fabricante. A concretagem de uma laje nervurada, sempre que possível, precisa ser feita de uma única vez, evitando-se as juntas de concretagem. O concreto das lajes nervuradas precisa sempre ser vibrado, de preferência mecanicamente, a fim de garantir maior homogeneidade e redução do número de vazios.

4. Cura do concreto:

A reação química de endurecimento do concreto necessita de água; como parte da água presente no concreto perde-se por evaporação no ambiente, para que a reação se processe de maneira completa, garantindo-se assim a resistência desejada, deve-se manter o concreto permanentemente umedecido durante o período da cura.

5. Retirada das fôrmas e dos escoramentos

A retirada das fôrmas e escoramentos das lajes nervuradas deve ser feita quando o concreto se achar suficientemente endurecido para resistir às ações atuantes sobre a laje e que estas não produzam deformações inaceitáveis. No caso de edifícios de múltiplos pavimentos, a moldagem das lajes de um determinado pavimento é feita quando o andar inferior apresentar condições favoráveis de resistência às ações de construção, ou sejam: peso próprio do cimbramento e das formas, peso próprio do concreto fresco, ações de pessoas e equipamentos necessários para a concretagem.

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FOTOS:


Formas de PVC

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Escoramento das formas

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Laje concretada

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COMO REPRESENTAR?

Clique aqui para fazer o download do arquivo de SketchUp com o desenho acima!

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PARA SABER MAIS:

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REFERÊNCIAS:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) Projeto de estruturas de concreto: NBR 6118:2003. Rio de Janeiro, ABNT, 2004.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) Projeto e execução de obras de concreto armado: NBR 6118:1978. Rio de Janeiro, ABNT, 1978.

BOCCHI Jr., C. F.; GIONGO, J. S. Concreto Armado: Projeto e Construção de Lajes Nervuradas. Universidade de São Paulo, Escola de Engenharia de São Carlos. São Carlos, 2010. Disponível aqui. Acesso em 24 Maio 2012.

PINHEIRO, L. M. (2005). Fundamentos do concreto e projeto de edifícios. São Carlos. Disponível em: <http://www.set.eesc.usp.br&gt; (Mat. didático on line). Acesso em 24 Maio 2012.

VASCONCELLOS, Juliano Caldas de. Concreto Armado, Arquitetura Moderna, Escola Carioca: levantamentos e notas. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PROPAR), 2004 313p.

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AUTORES:

Profª. Caroline Kehl e Prof. Juliano Vasconcellos

COLABOROU:

Acad. Rodrigo Noronha

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Categorias:Superfícies Tags:,
  1. 21 de setembro de 2012 às 18:45

    Gostaria de parabenizar a iniciativa do Prof. Arq. Juliano Vasconcellos pela elaboração do catálogo digital. É, sem dúvida, uma excelente colaboração para os profissionais do ramo da construção civil na visualização e elucidação das técnicas construtivas. Espero que as novas gerações de estudantes de arquitetura e engenharia saibam apreciar o grande recurso que tem a disposição através de programas gratuitos como o sketchup, e através de um catálogo digital como este, que disponibiliza os modelos para download, permitindo uma visualização a fundo do assunto e um maior entendimento.

  2. Sandra Reolon
    24 de abril de 2013 às 17:04

    Pena que faltou laje nervurada protendida, mas se em outra oportunidade for possível publicar ajudaria bastante.

  3. Iara Hennemann Vieira
    7 de maio de 2014 às 21:40

    Muito bem explicadinho!!!!

  4. giselle von der
    19 de janeiro de 2015 às 14:43

    então numa laje maciça de +ou- 102 metros quadrados eu gastaria de barra de ferro 5 mm
    entorno de 530 barras de ferros ? se eu estiver certa por favor me diga desde ja agradeço atenção

  5. Mr civil
    6 de fevereiro de 2015 às 12:52

    pirei lelek top demais!!!!

  6. Vinícius
    6 de novembro de 2015 às 0:34

    Gostaria de agradecer muito por essa iniciativa. Sou estudante de arquitetura e tinha sérias dúvidas sobre a utilização deste método construtivo

  7. 6 de abril de 2017 às 18:38

    O download do arquivo de SketchUp com o desenho acima não está mais disponível! 😦

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